Concurso Literário Metacantos – 2015 – 5º lugar

Mutilação
Lauro Neto – Bauru – SP

Deslizo ao abrigo da palavra
sob o olhar atento
de um oráculo mudo
evocando catástrofes
como semeadura deste ponto
da ponte em travessia estandarte.
Geminam palavrárvores no meu peito
e volto à minha casa mais possível.
O teto que habito não me moro,
protege as cabeças dos perigos do chão.
Preciso florescer.
As ruínas asfixiam os canteiros centrais
e sinto um toco mutilado
de tempo, em atraso
em atraso.
Saio disforme,
distorcida e quântica
Como aves desarvoradas
voando de cabeça para baixo.
Tenho o céu como abismo.
Oráculos não mentem,
mesmo quando mudos.
Mesmo quando coisa.
Mesmo.