fotoEntrevista com NATHAN SOUSA, poeta de São Gonçalo do Piauí, um dos vencedores do Prêmio Nacional LiteraCidade 2013.

Por Suylan Ribeiro

[entrevista transcrita a partir do feed do poeta no facebook]

SR: Caro Nathan, seja bem-vindo! Fale-nos um pouco da sua história, da sua formação.

NS: Meu amigo Suylan e amigos são-gonçalenses, eu retornei a esta cidade em Dezembro passado após o falecimento quase súbito de minha querida mãe, e vim para cuidar de minha irmã (Karina) que tem deficiência visual, tendo em vista que ela já está totalmente ambientada aqui: tem casa, suíte toda adaptada, amigos, parentes, harmonioso convívio social, escola de Braile, faculdade, uma cidade com acessibilidade satisfatória e, o melhor: sua própria história. Esse é o meu motivo maior. Obviamente que eu tenho o comércio e a casa para cuidar, mas esses são motivos secundários comparados com a importância do primeiro. De formação, sou Tecnólogo em Marketing, mas o meu verdadeiro ofício é o de escritor. Trabalho para editoras, escrevo para portais e presto serviços de assessoria acadêmica para algumas faculdades. Agora, como todos da cidade já sabem, administro também a loja deixada por meus pais.

SR: Você passou muito tempo morando em sua cidade natal, Teresina, mas tem fortes raízes aqui. Fale-nos um pouco da sua carreira como escritor. Como aconteceu?
NS: Iniciei nas letras em 2006 quando dois poemas meus foram publicados na antologia Escritores Piauienses, da União Brasileira de Escritores. De lá para cá tenho alguns artigos publicados no Jornal Meio Norte, na Revista do Cantador, participo de 10 coletâneas e antologias de circulação nacional, 02 de circulação internacional (em países de língua portuguesa), tenho dois livros publicados – O Percurso das Horas (Edição do autor, 2012) e No Limiar do Absurdo (LiteraCidade, 2013) – além de um livro editado, porém, não publicado: Terra Interminável (Aliança, 2013). Sou ganhador (2º lugar) do XXXVIII Prêmio Internacional de Poesia das Edições Arnaldo Giraldo-SP, e agora 3º lugar no Prêmio Nacional LiteraCidade, na categoria “livro completo de poemas”, com a obra inédita Sobre a Transcendência do Silêncio. Ocupo a cadeira de número 02 da Academia de Letras do Médio Parnaíba, e tenho poemas publicados em alguns suplementos culturais do Estado e na revista Samizdat, uma das mais importantes e respeitadas do país.

SR: Seu gosto pela leitura começou desde cedo?
NS: Pela leitura, sim. Sempre fui grande leitor. Desde criança. Muito mais do que escritor. Minha mãe foi peça fundamental no começo de tudo, mas a leitura verdadeiramente intensa e transformadora começou quando eu conheci as bibliotecas públicas de Teresina. Já na Universidade ganhei prêmio de usuário padrão. De lá para cá o tempo e os desgastes do dia-a-dia não me impediram de manter uma média elevada de leitura.

SR: E pela escrita?
NS: Pela escrita para publicar demorou muito porque sempre fui muito criterioso. A leitura dos clássicos me ensinou a ter um senso crítico mais aguçado. Daí a demora em publicar. Publiquei meus primeiros poemas somente aos 32 anos.

SR: Mas você ainda é novo e já tem uma carreira bem formada para quem começou com 32.
NS: Venho conseguindo colher os frutos de uma vida de dedicação primando pela qualidade. Na literatura, ao contrário do futebol, quanto mais velho melhor… mais lapidado. Pelo andar das coisas, no final de 2014, quando eu terei 41 anos, estarei com 06 livros publicados, mas, números, na verdade, não contam. O que importa é o fazer artístico compromissado com a arte como linguagem, como invenção necessária para a vida.

SR: Quais os seus autores preferidos?
NS: Minhas leituras ocorrem de forma cíclica. Há tempos em que eu me dedico à literatura estrangeira, há tempos em que eu leio mais os autores nacionais…. sabendo que posso cometer muitas injustiças aqui, deixando grandes nomes de fora, eu destacaria Gabriel García Márquez, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Juan Rulfo e Clarice Lispector na prosa, e, Octávio Paz, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto e Mário Quintana na poesia. Mas é bom que ninguém se engane, pois amanhã eu poderei mudar a minha lista tranquilamente (risos).

SR: Como estão seus projetos daqui para frente como poeta e escritor?
NS: Continuo lendo e escrevendo muito, como sempre. Estou escrevendo um livro de poemas inédito que provavelmente sairá pela Editora Patuá, de São Paulo, e um livro em parceria com Naeno Rocha, que vai se chamar Duas Mãos, já com tudo certo para ser editado e publicado assim que dermos como finalizado. Recebi o convite de um portal de Amarante para assinar uma coluna semanal de literatura, estou fechando trabalhos com mais uma editora, esperando o resultado de outros prêmios literários, e…. as coisas continuam andando a todo vapor, graças a Deus

SR: O que você está lendo no momento?
NS: Sempre leio dois ou três livros paralelamente. No momento estou lendo A poesia completa, da Cecília Meireles; Formas do Nada, do poeta Paulo Henriques Britto, e A Cor da Palavra, do grande poeta e meu amigo, Salgado Maranhão.

SR: Você é também compositor. Fale-nos um pouco dessa sua atividade artística.
NS: Na verdade sou letrista. Tenho parceria com músicos autorais do Piauí e do Ceará. Sandro Moura, Lucas Coimbra, Angelo Santedicola, Maurício Bezerra e Naeno Rocha são os meus parceiros. Uma nova parceria deve estar saindo até janeiro: Gonzaga Lu. Ao todo são 16 músicas gravadas e um clipe. O interior ainda desconhece devido ao consumo irrisório, digamos assim, de músicas menos comerciais, mas Teresina já conhece muito esse meu trabalho. Já ouvi muito minhas músicas nas FM’s culturais de lá e de Timon-MA, nos shows, nos bares…

SR: Que tipo de música você compõe e gosta de ouvir.
NS: Preferencialmente a música popular brasileira, que para mim é a melhor do mundo. Mas eu tenho uma afeição muito grande pelo rock in rol, por bandas inglesas e norte-americanas, e pelo Jazz. Mesmo morando em São Gonçalo, uma cidade alheia a esse tipo de música, ouço Miles Davis praticamente todos os dias. Ainda tenho o Led Zeppelin como a minha banda preferida, mas a predominância no meu gosto é de música brasileira.

SR: Você já foi apontado por alguns especialistas em literatura como um dos nomes mais fortes da literatura piauiense da nova geração. Como você encara essa informação?
NS: Aprendi em toda a minha vida a perseverar. Ler e escrever são, para mim, atividades de sustentação da alma. Tenho superando a dor das perdas irreparáveis na minha vida através da minha arte, da minha escrita. Não parei para pensar nisso: nessa condição de ser melhor ou não. Eu tenho um compromisso com a palavra, e apenas isso me interessa. Fico feliz pelo reconhecimento, afinal, todos nós gostamos. O que se observa é que a literatura do Piauí vem mostrando novos e promissores talentos, no entanto, é o tempo que vai dizer se a pedra é preciosa ou se é bijuteria.

SR: Meu caro Nathan Sousa, São Gonçalo se orgulha de ter um filho com o seu talento. Muito obrigado pela entrevista!
NS: Embora eu não tenha nascido aqui e tenha passado quase que a totalidade da minha vida em Teresina, minha terra natal, eu represento São Gonçalo com a minha arte com a mesma dignidade com que o fruto representa a raiz da árvore. Eu que agradeço pela oportunidade. Um forte abraço a todos!

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